A alma ensaia as pazes com o corpo, agora menos envergonhado pelas extravagâncias dos novos centímetros

Por Maíla Diamante
Ela chegou às bodas de prata da vida. Passa infância, passa adolescência, passam os anos universitários dourados e a dupla nostalgia/esperança corre buscar ninho no seu colo. Se aos vinte anos valia o peso da interrogação, aos vinte e cinco assumem as reticências, que insistem em apontar para os pontos finais. Com o fôlego dos vinte e perto da segurança dos trinta, ela segue seu passo-a-passo rumo à própria definição.
A velocidade inconsequente do ego se apruma nas raias da corrida trabalhista. Chegam os noivos, maridos, quem sabe amantes, quem sabe nem cheguem. Essas ganham sobrinhos, aquelas filhos. Outras preferem manter-se para sempre um galho sem ramos na árvore genealógica, e são felizes assim. O que interessa é aquela vozinha-mosquito que começa a zumbir no ouvido, exigindo escolhas que na maioria das vezes fingimos não ouvir. É que aos vinte e cinco temos o que resta do privilégio que é a posteridade.
A alma ensaia as pazes com o corpo, agora menos envergonhado pelas extravagâncias dos novos centímetros. Mas pra não dizer que não falei de espinhos, vale lembrar que não mais as curvas, mas agora os traços deixam suas primeiras marcas de preocupação. Não à toa os cremes anti-idade escolhem as mulheres de vinte e cinco como seu primeiro público-alvo. Afinal, as rugas já estão celebrando seu primeiro quarto de século.
Aos vinte e cinco, o clímax do romance cede lugar a um desenlace prazenteiro. Balzac, menos distante, dá um chute na bunda de Nabokov e de sua Lolita. O velho Shakespeare vira um senhor pragmático. Seu “ser ou não ser” perde espaço para “vou gostar de trabalhar com isso pra sempre?” Coça a barba, puxa uma cadeira e convida o compadre García Márquez a puxar conversa. Passada as efervescências românticas dos vinte, a vida assume as cores de um realismo fantástico - os suspiros do passado se transformam em sonhos programados, ansiosos por um presente.
Além das rugas e das reticências, das novas exigências e desapegos, ali, um dedo mais perto dos próprios desejos, tem sempre um lugarzinho esperando por ela. Entre o lá e o cá, e o antes e o depois, ela prefere dar um abraço fraterno no aqui e agora e seguir caminhando.
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Comentários
Muito legal! Gostei bastante!!
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